Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador "Você é doente". Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador "Você é doente". Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

"Você é doente"

No sábado passado, o primo perguntou pra mim quando que eu deixarei a fazenda.
Como eu não encontrei lugar pra morar e nem quem ficasse com as minhas coisas, não sairei mais do lugar, pelo menos por enquanto.

Ao falar com o primo que eu sairia da fazenda, falei também que enquanto eu ficasse lá, não mais rastelaria, limparia o quintal de sua casa.
Aparentemente conformado, ele pediu que o filho do caseiro rastelasse o quintal. O jovem recebeu R$50,00 pelo trabalho, que foi feito no domingo, dia em que o primo e sua esposa deram um almoço, após assassinarem  mais um porco..

Pensei bem e cheguei a conclusão que não vivo na fazenda como se fosse de favor, já que rastelo o quintal da casa em todo final de semana e jogo água nas plantas diariamente.
Bom, por rastelar, creio que eu mereceria uns R$200,00 mensalmente... o que gasto com mantimentos, durante um mês, nem chega a R$200,00(é quase isto).  Gente que conhece sobre imóvel, me revelou que um aluguel num barraco tipo o que moro, custa, no máximo R$200,00, e eu ainda molho as plantas.
Ah, estava me esquecendo que o primo quis saber quando eu sairia porque "a casa não pode ficar vazia"... ou seja, é bom sempre ter alguém, até mesmo para dar mais segurança, no tocante a furtos e roubos.  Portanto, sou útil.  E ele ainda falou que se eu quiser posso continuar na fazenda sem limpar/rastelar o quintal(ele,logicamente, pagaria a alguém por isto).
Apesar de eu detestar tal serviço, respondi que continuaria a rastelar, já que se fico sem jeito de pedir dinheiro a ele, para comprar mantimentos, mesmo tendo tarefas, imagine como eu ficaria sem ter nada a fazer na fazenda...

Continuo detestando morar lá, principalmente pelo fato do barraco não ter forro.
Nunca senti tanto frio na vida!
Na verdade, praticamente tudo na fazenda tem me irritado.

A vontade de praticar o auto-extermínio só aumenta.  A vontade de sumir é grande.

Não gosto da pessoa do meu primo,nem de sua esposa, nem de uma das suas irmãs, que teve o descaramento de dizer na minha cara, sem discutirmos, naturalmente, que sou doente... isto, doente da cabeça.  Lhe respondi contestando, mas adianta?
Quem me leva a sério?   Na cidade interiorana, não tem mendigo.  Acredito que sou a pessoa mais pobre, numa cidade de 12.000 habitantes.  Quem me levará a sério?

E vamos ver como o primo me tratará à partir de agora.  Ele e sua antipática e autoritária mulher...  Às vezes penso que vou sair de lá brigando... sendo provável que o primo acabe correndo comigo...  Tenho que ter coragem de enfrentar a fome e a falta de moradia.
Abaixar a cabeça, me humilhar, isto eu não faço.  Tenho amor próprio!